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domingo, 6 de novembro de 2011

Que eu continue, meu Deus. Que eu continue esse palhaço de rosto pintado, esse arlequim cantante. Que eu não pare!

domingo, 9 de outubro de 2011

Quanto à observação

eu tinha visto, nos olhos dela, a beleza do mundo todo
Ela era boa, e de tão boa era boba
Vivia ela em prol de outros, de outras,
suas fantasias nada mais eram que copias dos desejos alheios,
e não há ninguém que possa contradizer a sua felicidade
há muitas formas de sorrir, de se alegar
e ela tinha escolhido ser assim, boazinha.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

No meu aniversário...

‎' Que eu estou banhado de saudade da cabeça ao pés.
mas também banhado em paciência e fé,
também banhado em alfazema,
também banhado em amor, porque o amor chegou, enfim...
Porque eu estou banhado, meu bem;
Mergulhado num mar profundo de belezas, magia e axé,
porque eu aprendi a nadar muito bem, muito bem...
muito bem... =]

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Foi assim...

Quando você chegou eu estava vulnerável, carente, sozinho, sedento...
Eu estava a ponto de implodir,
Os nossos encontros, que foram poucos, eram pra mim a coisa mais fantástica que essa cidade me proporcionou.
Talvez nem isto eu merecesse, e em meio a tanta vulnerabilidade, você sumiu sem deixar rastros, dum dia pro outro você não existia mais.
E eu então fui tomado pelo desespero, pela insegurança, pelo medo.
Teria sido tudo uma grande brincadeira sua? Teria sido eu um descanso, uma quebra temporária de rotina?
Queria te dizer que fui à sua casa hoje, ou então, que fui a casa que você disse ser sua.
Na porta estavam dois homens de estatura média, um até me lembrou você.
Fui porque queria notícias suas, olhar no fundo dos seus olhos, dizem algumas palavras talvez; eu só queria aquietar o meu coração...
Meio tremulo, perguntei por você e pronunciei o nome que você disse ser seu:
- " Oi, Bom Dia. André está aí?"
Com cara de quem não estava entendendo nada eles responderam:
- "Aqui nesta casa? Aqui não mora nenhum André"
- " Não?"
- " Não!"
Foi então que a ficha caiu.
Você não existia, era mentira, seu nome era mentira...
Nossos encontros,
Nossas conversas,
Nosso desejo... Era tudo mentira, então?
Não, não eram!
Não eram mentira os meus sonhos com você,
Minhas palavras,
Meus olhos que brilhavam ao te ver.
Não era mentira o meu desejo, André.
Não era...



domingo, 10 de julho de 2011

na esquina do quase...

eu quase parei,
quase desisti na primeira esquina em que dei a primeira topada.
Eu teria sido fraco, eu sei. Mas é que doeu tanto,
Como ferro quente em carne viva, chicote molhado seguido de banho de sal.
Eu estava aos cacos, não me reconhecia;
dentro de mim, um músculo murcho que mais parecia um maracujá velho.
Não havia ninguém pra me socorrer, abraçar. Nenhuma palavra de apoio, nada. Eu estava sozinho e ferido em meio a uma cidade gigantesca e imensamente fria.

Eu que de tão bom, fiquei besta.
que de tanta boa vontade, levei chumbo.
que de tanta fé, quase fui crucificado...

(...)

Estou de pé, seguindo em frente. Meio cambaleante, cabisbaixo, é verdade. Mas eu quero gritar que Não Parei!
Não Parei,
Não Parei...

e não vou.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

des canso

deu-se conta que estava cansado
decidiu sozinho descansar,
sentou-se
e continua a se sentar.

sábado, 2 de julho de 2011

"Por favor, ao entrar, tire os sapatos e mantenha a casa arrumada"

Putaria, Zé;
Palhaçada!
Isso aqui virou brincadeira, só pode..
Qualquer um que chega entra, se acomoda,
faz deste comodo minúsculo - mas que insistem em dizer que é grande - a própria casa,
E sujam, bagunçam. Fazem festa e não organizam nada depois
Pintam e bordam, isso quando não decidem quebrar a casa toda, deixar tudo em pedacinhos
Dia desses levaram um pedaço da casa, você acredita?! Pois é!
Entrou, fingiu-se de bom moço, hospedou-se gratuitamente e, sem mais nem menos, num dia inesperado, foi-se embora e levou tudo o que podia.
Fiquei vazio por dias.
Tem sido cada vez mais difícil organizar esta bagunça, Zé.
Antigamente, a plaquinha de " entre, sente-se e sinta-se à vontade" ficava exposta interruptamente.
E agora? haha, Agora nem plaquinha existe mais. Arranquei e escondi.
No lugar eu postei um outro aviso, " por favor, ao entrar, tire os sapatos e mantenha a casa arrumada "
Não tem resolvido muito, sabe?!
Tenho pensando em fechar as portas, pra sempre.
Eu já estou ficando velho, não é mesmo?
E gente da minha idade você sabe como é,
Gosta de tudo no lugar, bem limpinho, cheirando a novo.
Se não corre o risco d'eu abandonar a casa?
Corre, sim. Claro!
Mas ao menos eu não vou sofrer tanto,
Já deu, Zé.
Não aguento mais sofrer, nem um tiquinho assim, ó.
Quer saber, Zé?! Decidi!
Vou fechar as portas.
No meu coração ninguém pisa mais.
Ninguém mais bagunça esta casa tão difícil de arrumar...
Ninguém!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fala!

ou você coloca tudo pra fora,
ou deixa tudo preso aí dentro.
mas, no meio, você não fica!

Título 1

que eu não podia meter os pés pelas mãos, eu sabia.
Mas eu fui criado em meio a canibais, aprendi cedo a matar pra comer.
A devorar e destruir tudo o que me impedisse de seguir em frente,
não pense você que me orgulho disso. A frase é forte e de efeito, mas não me compadece.
Eu sempre admirei os bonzinhos, os cheios de boas vontades... Os banhados pela gentileza
mas nunca consegui ser como eles. No fundo, no fundo, eu sempre fui observador e calculista
Eu aprendi a identificar as fraquezas de minhas vítimas, aproximar-me delas e dar o bote quando necessário. Sou capaz de controlar uma cidade inteira, acredite.
A técnica é simples, observação...
Mas nunca quis alçar voos tão altos. Eu poderia ter virado político, mas não quis.
pra mim, o prazer está em me infiltrar na vida dos que escolho, vigiá-los, e supostamente me tornar amigo deles...
Depois eles estarão à minha disposição,
porque eu saberei exatamente como controlá-los.
tenho pena desses seres medíocres, cheio de orgulho e futilidade.
Dessa gente burra, desinformada.
O meu foco está em algo maior, melhor, mais bonito...
mas eu que ainda não sei o que é.

sábado, 25 de junho de 2011

que o amor seja o rei

Começou, começou agora aquela saudade doída.
Longe de casa, dos amigos, da família...
Numa cidade imensa e absurdamente diferente aos meus olhos
não quero e não posso fraquejar agora, chorar agora,
Mas é tão mais confortável está perto de quem a gente conhece
E ainda mais eu, que sou absurdamente dependente dos que me cercam
Eis a minha oração:
Dai-me força e amigos,
Paciência e sensatez...
E que eu não me perca por estas ruas,
nem por estes caminhos,
nem por estas tentações
Que o Amor seja o rei d'minha vida
que o amor seja o rei!
Ele se prostituiu, se entregou antes mesmo de tentar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

reencontradas

Quando duas almas se encontram, se reencontram,
Costuma-se fazer silêncio, os olhos atônitos parecem tímidos e desencontrados
Sente-se somente a necessidade de ficar perto. Até mesmo sem falar nada, só observando.
Há casos de almas que se reconhecem e são amigos, mães e filhos, namorados, inimigos, sobrinhos...
É aqui que eu quero chegar,
Eu reencontrei uma das almas que posso chamar de 'amigas',
Quando eu vi o meu tio pela primeira vez eu tive de me segurar para não cair, cheguei até a ficar tonto...
Lembro-me que ele vinha de longe, chegando do trabalho, sorriso no rosto.
Passou por mim sem reconhecer. Quando se deu conta, abraços e sorrisos foram distribuídos.
Convidou-me pra entrar em sua casa modesta, sua filhinha acabara de nascer, sua esposa estava no quarto e o que ela fazia lá não era de meu interesse...
O que me interessava estava na minha frente: O meu tio. Que é a minha cara, ou eu sou a cara dele. Nunca me achei parecido com ninguém, mas ele sou eu daqui a alguns anos.
Gentil, sorridente, discreto. Chamou-me pr'um papo particular, olhava-me fundo como se também estivesse sentindo o mesmo que eu, como se o coração dele estive saindo pela boca, como se as pernas estivessem tremendo e como se a vontade de abraçar fosse quase invencível...
Cheguei a sentir uma leve falta de ar.
Meu Deus, o que é isso? O que está acontecendo comigo?
Nos despedimos, fui embora...
Meses depois volto a encontrá-lo. Desta vez eu vim de mudança. Moramos na mesma cidade agora, próximos.
Ele usava uma camisa de manga muitíssimo bem escolhida. Estava gripado, mas sorridente.
Passou aqui em casa rapidinho, mas eu tornei a ter a certeza de que o conhecia de outras vidas,
de que já fomos próximos de alguma forma...
E ainda bem que ele não estava só, e que eu também não estava. Não sei o que eu faria no impulso e no calor do momento.
Nós marcamos uma pizza, um encontro. Mas a vida anda tão corrida, a dele, a minha... Não há datas.
Há agora uma dúvida que não me deixa dormir:
O que eu vim fazer nesta cidade?
será mesmo que trabalhar e estudar são os meus principais objetivos?
Não será o destino reorganizando-se, unindo almas?
Eu tenho de esperar pra ver, com o peito doendo, agudo, com uma saudade estranha, sei lá do que.
Como dor de despedida, de adeus...
Mas meu Deus, meu Deus... de adeus?

sábado, 4 de junho de 2011

Sem você não teria graça.

Vai, vai, Zé!
É agora, vai!
Vai, menino.
Será que você não ouve, será que não percebe?
É a vida, Zé
A vida está fazendo um escândalo lá fora gritando o seu nome.
Corre, Zé!
Eu nunca vi a vida fazer isso. Ela deve ter um bom motivo.
Aproveita, vai!
Deixe suas roupas aqui,
Você não vai precisar de muita coisa mesmo.
Vai!
Antes que seja tarde, antes que não seja vida, antes que não seja nada.
Vazio, Zé.
É disso que você quer viver?
Eu sei, eu sei. Pode-se optar por viver assim, Sobreviver assim.
Só que do outro jeito é tão mais bonito...
Não?
Mas, se você não quer ir, deixa eu ir no seu lugar?
Pô, eu digo que houve um engano, que confundiram-se os nomes e que na verdade eu é quem sou você.
Entende o meu plano?
Se você não quer, eu quero.
Eu estou disposto a pegar o primeiro avião, o primeiro táxi, moto, bicicleta, tuc-tuc... Seja o que for.
Eu estou disposto a sumir e ressurgir em algum outro lugar escolhido pela vida descabelada lá fora. Qualquer lugar.
Deixa eu ir, Zé.
Não seja egoísta.
Eu só preciso que você saía lá fora e diga:" Ele vai no meu lugar"
Faz isso por mim, Zé.
Não vê como estou animado?
Sozinho? Se eu vou te deixar sozinho?
Mas, Zé...
Pelo amor de Deus
é a VIDA gritando lá fora, G-R-I-T-A-N-D-O o teu nome.
Se você for, não me importo em ficar sozinho aqui, no escuro. Ao menos por enquanto;
Sei que não vai demorar muito até que mais alguém caia nesse poço fundo e me faça companhia...
Mas se você não for, deixa eu ir.
Não fica calado, poxa!
Não demore a decidir.
A vida pode se arrepender, se cansar, ficar rouca...sei lá. Ela sempre foi tão imprevisível;
Zé?
Zé, fala alguma coisa.
Meu Deus, meu Deus. Ela parou de gritar, ela parou. Ela deve estar indo embora. Ela deve estar indo embora, Zé! Fala logo, anda!
Olha, não fale nada;
Eu vou indo, Tchau.
Eu digo que você está indisposto, que vai ficar pra próxima e que pediu pra que ela me leve.
Direi que você faz questão que ela me leve!
Tchau, Zé.
Nem acredito, Vida, lá vou eu!
Beijos, Zé. Foi bom te conhecer... vou indo mesmo...
Não vai dizer nada?
Zé? Eu estou indo, cara. Não vai me dizer nada?
Zé? Cê tá chorando por quê?
- Eu vou sentir a sua falta. Será que a vida não pode nos levar juntos?
- Não, Zé. Ela leva um de cada vez. É a regra, você sabe disso;
- Sim, eu sei. E é por isso que eu não fui. Sem você não teria graça.



sábado, 28 de maio de 2011

Diálogo I

Eu gosto do céu assim, João. Nublado;
Nunca gostei daqueles dias ensolarados, quentes;
E praia pra mim, só se for pra olhar, de longe
Água salgada e areia nunca combinaram comigo,
prefiro a água doce que de tão doce deixa a gente tonto das cachoeiras daqui de minha terra.
De vento eu gosto, forte. Se vier acompanhado por uma neblina fria, melhor ainda.
Chocolate?
Gosto do branco e que derrete na boca.
Bebida?
Alguma que seja bem forte.
Sexo ou Amor?
Sexo, sem dúvidas.
Amor ou Paixão?
Paixão!
Eu gosto de comodidade, João. De pouco esforço. E a unica coisa que foge a essa regra e que me agrada é a paixão.

Da Lua à Paixão

A lua que de tão alta faz-se ver em toda parte
A chuva que de tão fina faz-se sentir em toda pele
O Sol que de tão quente faz-se arder nos corações diários
O vento que de tão fresco faz-se desejado entre os de bom coração
E a paixão, que de tão alta, tão fina, tão quente, tão fresca, tão breve faz-se indispensável nessa minha vida fatigada.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Funeral

Morreu ali, sentado
À esperar, como se não pudesse mais viver, mas ele podia e ele sabia disto.
Os joelhos estavam cruzados
A cabeça estava caída para o lado
As mãos sangravam muito
Encontraram seu corpo na praça central da cidade, nu.
Alguns dizem que ele morreu de saudade
Que esperou a vida toda por algo que acreditava muito,
Ninguém soube dizer o que ou quem era...
Foi enterrado ontem à noite como indigente;

-

No dia seguinte, um moço de rua, com a barba grande e branca, visitou o túmulo no cemitério.
A cova ainda estava coberta por terra somente
O homem escreveu em letras garrafais e com o auxílio e um graveto:

AQUI JAZ UM HOMEM CHAMADO FÉ.

-

Um semana depois cobriram a cova com cimento e não se tem mais notícias.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Devorar a vida
comer a vida
Viva.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Coragem

Vem cá, sente-se aqui, deite-se no meu colo para que eu mexa em teus cabelos...
Lembra quando te contei da minha falta de coragem?
Da minha insatisfação com a cidade em que moro e com o curso que jurava gostar?
Pois é, posso ter demorado um pouco mas tomei uma boa dose de coragem, de ousadia - tomei alguns tapas na cara também - é bom, anima.
Não posso me prolongar muito aqui, então deixa eu te atualizar porque só Deus sabe quando nos veremos novamente:
Mudei...
o cabelo, tirei os piercings, estou bronzeado e mais confiante. Mudo de cidade e de estado na próxima semana, veja que beleza, meu bem...Na próxima semana.
Sim! Vou abandonar o curso e tudo que ficar aqui nesta cidade suja...
A única coisa que levo comigo é meu saco de esperança que me acompanha desde nascido.
Agora, só agora, eu sinto minhas costas doerem como se as asas quisessem brotar... Voar, Andar sozinho, enfrentar o mundo.
To indo agora, comprei a passagem pra hoje mesmo, não avisei ninguém e não vou.
Não gosto de despedidas e menos ainda de expectativas... Mas eu gosto de você, viu?!
Não se esqueça disso não.
Um beijo.
Adeus.

- E ele partiu como um boiadeiro, sem olhar pra trás, sem se arrepender...sorrindo e confiante...Se foi.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Isabela,


Que não tem...
coraçao
alma
sentimento
cabelo, pele, coro, osso...
nao tem nome...
nao tem roupa;
nao tem nada.

Isabela,

Que não tem rumo
Não tem norte,
Não tem início nenhum,
Não tem sorte

Que não vai
não vem
não foi
não é
ninguém;

Isabela,

Que não pensa
não age
não reclama
não critica
não questiona

Que não avisa
não perdoa
não se perde à toa


Isabela,


Que não tem cheiro,
não tem cor
não tem jeito
não tem jeito
não tem jeito
não tem jeito

Isabela não tem jeito.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

pedido

Que me ame, que me lasque, que me coma, que me lamba, que me cubra, que me chupe, que me abrace...
e que me olhe, me investigue, me admire, me deteste, me ajude, me masturbe, me despreze...

Mas que não minta!

domingo, 17 de abril de 2011

dor-de-alma-dói! [ e sangra ] [ e pulsa ] dor-de-alma-expulsa!

doeu tanto que eu saí de mim [ fim ]

quarta-feira, 13 de abril de 2011

É um não-saber estranho que ao mesmo tempo é comum, entende ?
É estranho porque eu não entendo, não gosto, não me acostumo...
E é comum porque já me ocorreu outras vezes em diferentes intensidades.

É uma espécie de Não-Estou-Satisfeito-e-Não-Sei-o-Que-Fazer-Para-Melhorar. Braços atados - eu poderia dizer cruzados, mas eu não consigo descruzar, isso me faz imaginar que eles estão atados, é mais confortável.
às vezes tenho boas ideias, possíveis soluções... Mas transpor isso para a realidade, a minha preguiçosa realidade, não é uma tarefa tão simples.
Veja, não é simples porque eu ainda não decidi quem eu sou.
Olha que coisa boba, infantil e clichê: Não decidi quem eu sou.
Mas é a verdade, eu juro. É a única que consigo expressar agora.
Eu me perdi em meio as coisas que fiz para agradar os outros, nas músicas que ouvi para que me achassem culto, nos livros que li para passar em testes...
Eu me perdi em meio as roupas que comprei para me adequar à moda atual, efémera. Estou perdido na cidade que resolvi morar, na faculdade que jurei gostar, estou em meio a pessoas que não combinam comigo, não encaixam.
Eu me ocultei. Escondi a mim mesmo em um lugar que não me lembro e ficarei estagnado até ter coragem pra recordar. Não é sorte, é coragem...



[ e foi aqui que a inspiração acabou... ]

sexta-feira, 1 de abril de 2011

C.

Tenho dito que o amor não dói, é mentira!
Ele dói, cansa e consome...
Do amor que está longe a saudade vira gêmea, cúmplice
É como se o amor causasse a ferida e a saudade pingasse ácido sobre ela.
Entende o meu desespero ?
Entende o que é ter sua ferida exposta e mal tratada ?
Tenho em mim uma ferida em carne viva que recebe doses diárias de ácido, doses caprichadas eu preciso dizer.

E a gente vai usando de tudo que receitam: Homem, mulher, sexo, drogas, rock, poesia e esparadrapo.

Daí que surgem as ' traições '. Na tentativa tola de transformar gente/sexo em remédio. Não dá, não tem jeito. Quando o amor é bom, bonito, ninguém cura a ferida que ele causa, ninguém - por mais ambíguo que isso pareça.

O meu amor é bom, tenho dito.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Vida Surfistinha

Eu gozei na vida
Derramei meu leite quente na cara dela
Enfie os meus dedos grossos em todos os seus orifícios, todos.
Penetrei com minha língua por entre as suas nádegas
A fiz suar-se toda
Deixe-a exausta
Repeti várias vezes o mesmo movimento até vê-la sonsa de tanto prazer
Mudei de posição.
Penetrei o meu pau em suas miudezas e a fiz gemer de arrependimento

Eu transei com a vida, engravidei a vida
Eu estuprei a vida com o meu pau de boa satisfação

E agora a vida me respeita
Gosta de mim e me chupa todos os dias
A vida morre de tesão por mim
A vida vai ter um filho meu.
A vida vai ter um filho meu.
A vida vai ter um filho meu.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ele acabou por dormir na praia, os pés ainda sujos de areia e os olhos ainda ardiam por conta do sal
Levantou-se assustado. Com as mãos na cabeça ele se esforçava para tentar lembrar o que havia acontecido na noite passada
Definitivamente não sabia o que fazer e decidiu continuar não fazendo nada
Fingir que aquilo tudo era uma leve brincadeira e que logo logo ele estaria em casa.
Mas era mentira, ele sentia.
Voltar pra casa era o que de pior aconteceria naquele momento, mas ele sorriu mesmo assim.
Mas agora que as esperanças se acabaram para onde eu vou?
Não as minhas, digo das tuas esperanças que se perderam nessa nossa luta.
Se você não vem, pra onde eu vou?
Eu bem que poderia continuar sozinho, fingir que suportaria sua ausência e tentar um novo amor na esquina de baixo no bar da Tia Marina
Ou talvez eu desista também e as minhas esperanças se acabem feito as tuas
Porque sozinho eu não consigo mais.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Amélia ( Para Débora Ramos )

Eu sei que dói, Amélia.
Mas a dor faz parte do processo.
P-R-O-C-E-S-S-O, Amélia.
Você sabe o que é isso?

É quando somos jogados num poço escuro com mãos e pernas amarradas.
Suas mãos e pernas estão amarradas, Amélia;

É quando aprendemos uma coisa de forma dolorosa, sofrida.
Por isso a dor, por isso o sofrimento.

O processo dói, Amélia.
O processo incomoda, Amélia.
O processo é uma pedra no sapato.

Processe.
Processe...
Processe....

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Alma à venda

Eu vendi minh'Alma a um corpo destraído que dormia ressequito na escuridão.
Vendi minh'Alma a um ladrão
Que na compra anunciou o assalto e levou na marra meu coração
Eu perdi meu coração pra um ladrão
Que na pressa deixou cair sua certidão
E o seu nome era Solidão;

Anuncie em um jornal o meu desespero
Contatei a polícia de meu corpo inteiro
Mas não teve jeito
O ladrão tinha comprado a Solidão

Avisei à Solidão sobre o perigo que ela corria
Ao deixar-se levar por um ladrão quem nem mesmo conhecia
Solitária a solidão me respondeu:
"Acontece que você sou eu"
Entendi então que eu é quem era o ladrão
E como se não bastasse eu também era a Solidão


Eu era, não sou mais.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vazio mal feito

Ô vazio mal feito, meu deus
Que não é vazio inteiro e nem está pela metade
Que não me deixa livre, mas também não me prende
Que não me enche os olhos nem me toca a alma
Que não é Samba, que não é Rock, que não é Jazz
Que não é nem mesmo som
Mas que perturba com um Tum Tum Tum desafinado
Que diabos é isso, meu Deus?
Que não me veda os olhos, mas me impede de ver
Que não me cala a boca, mas me tira a voz
Que não é grande, mas me toma inteiro.
- Eu estou dividido entre o vazio maior que eu e o vazio que está em mim -
Que vazio mal feito, meu Deus.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Alô?

-Alô?
Alô?
( Tu tu tu )
...
(Trim Trim Trim)
Alô?

Sabe quando a gente fica louco de uma hora pra outra e a vontade maior é estrangular o primeiro idiota que aparecer em nossa frente?!
Pois é!
O telefone começou a tocar as 7:00 am, já são quase meio dia e esse filá da puta ainda não parou.
Barulhinho irritante!
E o pior, toda vez que atendo um silêncio ensurdecedor toma conta da linha.
Quem será o sem-o-que-fazer que está me ligando tanto?
Já tentei de tudo, fiquei mudo, mandei tomar no cu, perguntei educadamente quem era, disse em alto e bom som: " Eu não estou conseguindo te ouvir "
Mas mesmo assim esse aparelho continua a pertubar.
Sim, sim, eu já tirei do gancho por algum tempo, mas não adiantou.
Parecia que o telefone estava tocando dentro de mim.
Que coisa maluca, meu Deus.
As coisas vão muito bem quando, sem mais nem menos, uma ligação muda mexe completamente com o seu estado de espírito.
Sabe-se lá o que essa criatura fazia do outro lado da linha;
Talvez fosse alguns desses ex-amores que ligam pra gente pra ouvir nossa voz, nossa respiração.
Ou pra desejar baixinho que a gente se foda na vida.
Vai ver foi isso, desejaram que eu me fudesse!
E eu me fudi!
Bati o carro ao sair da garagem, acredita?!
Saindo, devagarzinho...
Pow!
O prejuízo está pra lá de 500 R$;
Você tem essa grana? Nem eu!
Talvez o sem-o-que-fazer a tenha e resolva me enviar.
O que eu sei é que nunca fiquei sabendo de um telefonema, mudo, que tenha causado tanto estrago físico, psicológico e financeiro.

(Trim Trim Trim)
- Alô?
- (...)
- Parabéns, você conseguiu estragar o meu início de ano que estava sendo ótimo!
Espero que esteja contente, filá da puta!
( Tu tu tu )

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Não quero que saiba e peço pra que não te contem

O que eu não quero é que você saiba que tem doido muito
Que eu não tenho nem a metade da força que aparento
Que os meus olhos nunca estiveram tão vermelhos
Que nunca tive tanta vontade de abraçar e de cuidar de alguém como tenho por você
Que os meus dias estão sendo péssimos e que eu penso, frequentemente, em desistir de tudo
Da nova cidade, dos novos sonhos, da faculdade...

Eu não quero que você saiba e peço pra que não te contem:
Do buraco que agora está no lugar do meu coração que ficou com você, colado no seu, naquele último abraço que demos
Que eu não durmo há dias e que rezo como nunca fiz antes para que nossos caminhos se cruzem logo, por mais difícil que isso pareça.
Que, por você, por mim, por nós, eu desenvolvi uma fé sobrenatural...
E acredito, mesmo absurdamente, que seremos um do outro seja com o corpo ou só com o espírito.

Eu não quero que você saiba e peço pra que não te contem porque Eu, dia desses, apareço de surpresa pra te levar comigo, pra sempre!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sobre meus olhos...

É como se em todos os momentos os meus olhos dissessem: Abrace-me, abrace-me forte.

Sobre TCh

E isso tinha nascido em mim sem que eu me desse conta

E agora cresce, cresce...
Toma conta de mim, eu sou todo isso.
E mesmo que a fonte esteja longe, mesmo que o adubo e a água necessária estejam a quilômetros de distância
Isso continua a crescer
As raízes escavam meu solo furiosamente
Elas, inocentes, estão à procura de ti, meu bem...
Que talvez não volte
Ou que talvez fique pra sempre...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sobre o Amor

(...) Há em mim um vazio enorme

Que está vazio porque um dia esteve cheio
e como um rio seco, espera ser cheio novamente...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Conclusão:

Amor
Amor-Te

Amor ----- A morTe