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quinta-feira, 23 de junho de 2011

reencontradas

Quando duas almas se encontram, se reencontram,
Costuma-se fazer silêncio, os olhos atônitos parecem tímidos e desencontrados
Sente-se somente a necessidade de ficar perto. Até mesmo sem falar nada, só observando.
Há casos de almas que se reconhecem e são amigos, mães e filhos, namorados, inimigos, sobrinhos...
É aqui que eu quero chegar,
Eu reencontrei uma das almas que posso chamar de 'amigas',
Quando eu vi o meu tio pela primeira vez eu tive de me segurar para não cair, cheguei até a ficar tonto...
Lembro-me que ele vinha de longe, chegando do trabalho, sorriso no rosto.
Passou por mim sem reconhecer. Quando se deu conta, abraços e sorrisos foram distribuídos.
Convidou-me pra entrar em sua casa modesta, sua filhinha acabara de nascer, sua esposa estava no quarto e o que ela fazia lá não era de meu interesse...
O que me interessava estava na minha frente: O meu tio. Que é a minha cara, ou eu sou a cara dele. Nunca me achei parecido com ninguém, mas ele sou eu daqui a alguns anos.
Gentil, sorridente, discreto. Chamou-me pr'um papo particular, olhava-me fundo como se também estivesse sentindo o mesmo que eu, como se o coração dele estive saindo pela boca, como se as pernas estivessem tremendo e como se a vontade de abraçar fosse quase invencível...
Cheguei a sentir uma leve falta de ar.
Meu Deus, o que é isso? O que está acontecendo comigo?
Nos despedimos, fui embora...
Meses depois volto a encontrá-lo. Desta vez eu vim de mudança. Moramos na mesma cidade agora, próximos.
Ele usava uma camisa de manga muitíssimo bem escolhida. Estava gripado, mas sorridente.
Passou aqui em casa rapidinho, mas eu tornei a ter a certeza de que o conhecia de outras vidas,
de que já fomos próximos de alguma forma...
E ainda bem que ele não estava só, e que eu também não estava. Não sei o que eu faria no impulso e no calor do momento.
Nós marcamos uma pizza, um encontro. Mas a vida anda tão corrida, a dele, a minha... Não há datas.
Há agora uma dúvida que não me deixa dormir:
O que eu vim fazer nesta cidade?
será mesmo que trabalhar e estudar são os meus principais objetivos?
Não será o destino reorganizando-se, unindo almas?
Eu tenho de esperar pra ver, com o peito doendo, agudo, com uma saudade estranha, sei lá do que.
Como dor de despedida, de adeus...
Mas meu Deus, meu Deus... de adeus?

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