sexta-feira, 19 de novembro de 2010
( sobre o Valter )
Era depois o mais claro e bonito céu que eu já tinha visto
E era antes a bebida que tinha me feito suportar tudo
Sobre a Carmem
Ela era bonita e trazia várias outras coisas na bagagem.
Fragmentos d'um conto - Diálogo -
Mas saía, saía daqui
Feche a porta e apague a luz, por favor. E se o telefone tocar diga que eu morri, que estou mortinha da silva estirada no chão da sala com o coração na mão
Diga que arranquei o meu coração com a mão, ele estava doendo de mais.
Fragmento d'um conto.
Ouça aqui, mocinha.
Não fique pensando que o mundo lhe pertence não
Não caia nessa onda
E outra coisa, não se esforce! Pelo menos não tanto
Não fique aí remando contra a maré, dando murro em ponta de faca
Veja, se não for pra ser, não vai ser. Acredite em mim.
Coisa boba essa sua tentativa de ir além
E olhe, eu não estou pedindo pra você desistir não, não é isso.
Eu só quero que você pense mais, que leia mais.
Que tenha argumentos melhores
Você esta muito nova ainda(...)
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Ao Sol que não brilha
Ter passado por tanta dor e sofrimento só me deixou mais resistente, cheio de calos.
Estou tão seco que nem suas lágrimas me comovem,
E eu que já quis dar a vida para que nenhuma de suas lágrimas caísse.
Sabe quando se está doente, muito doente, e uma melhora súbita pode representar a morte do individuo?
Foi o que aconteceu.
Eu estava doente de você.
Eu te desejava tanto, pensava tanto em nós dois juntos, mas tanto, tanto, que chegava a doer.
E foram diversas às vezes em que eu tentei te falar isso, te mostrar isso – você sangrava em mim.
Mas, você nunca quis ver isso.
Eu estou melhor,
Foi tão rápido que até mesmo eu fui surpreendido.
Tive uma dessas melhoras súbitas.
Não tenho mais vontade de te ligar, você já não povoa os meus delírios.
É isso! Não tenho dúvidas.
Essa melhora quer dizer que você está morrendo em mim.
Morrendo aos poucos, doendo demais.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Carmem
Mas aqui, sentada e chorando é que eu não fico.
Liga pra policia!
Diz que vai haver um assassinato na Rua 12, às 19 horas. Eu vou matar aquele canalha.
Porque eu, meu bem. Eu sou boazinha demais.
Não quero ver ninguém sofrer, mas isso não faz de mim uma tonta desvairada.
Isso não te dá o direito de fazer de mim um modelo de blusa velha que, apesar de ser confortável, só se usa em casa, sem que ninguém veja.
Eu não.
Eu sou blusa nova, bonita, cheia de brilho.
Dessas que servem para todas as ocasiões, que caem muito bem no corpo e exigem
cuidados especiais.
É isso, você não sabe o que são esses ‘cuidados especiais’ escritos em minha
etiqueta.
Não sabe, nunca soube.
Sempre me tratou de qualquer jeito,
Acontece que eu cansei e perdi a cor em você.
Estou desbotada em você.
Estou folgada em você.
Assim mesmo,
F-O-L-G-A-D-A
Tornei-me mulher demais pra tão pouco homem."