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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

( sobre o Valter )

E era o melhor som, a melhor batida
Era depois o mais claro e bonito céu que eu já tinha visto
E era antes a bebida que tinha me feito suportar tudo


Sobre a Carmem

Ela era bonita, mas não era bonita e só, como a maioria dos bonitos
Ela era bonita e trazia várias outras coisas na bagagem.

Fragmentos d'um conto - Diálogo -

Nos últimos dias eu cheguei a conclusão de que não adianta se esforçar tanto assim
Coisa feia essa de fingir que está tudo bem
Tá, eu sei que não é nada simples
Mas você bem que poderia simplesmente ser você mesmo, não acha?
Assim nós dois sofreríamos menos
Eu também sei fingir, meu bem...
E se eu realmente quisesse te matar eu saberia exatamente onde ir
Você sempre foi tão previsível
E se eu pareço tão tola agora a culpa é toda sua
Fui tola ao acreditar em você e continuo sendo toda ao achar que você vai mudar, não vai!
Com o tempo e o amadurecimento a gente vai adquirindo máscaras, vai usando máscaras e acabamos por nos esquecermos de sermos nós, de sermos nós mesmos de verdade
O que é comum, tudo bem!
Mas agora que você também já sabe disso, que tal se tirássemos as máscaras?
Ah... vai... pelo menos aqui, agora, no quarto
Não se importe com nada, com nada mesmo
Respire, respire e vá fundo!
O mais fundo que conseguir chegar
Diz olhando nos meus olhos o porquê de tudo isso
Eu estou sensível assim por sua culpa, e eu não me envergonho em dizer isso - Eu estou sofrendo por você!
Mas isso passa, meu caro
E depois de passado, quando você for passado, eu devolvo tudinho com estado único de felicidade, a minha felicidade
Eu não posso negar que me sinto só
Não simule esse sorriso falso pra mim
Eu juro que da próxima vez que nos vermos eu já estarei ótima e morta de paixão, mas não será por você novamente, eu juro!
Eu estou meio cansada, até mesmo de você
Essas suas indecisões acabaram comigo
Vai embora, vai!
Ou então fique ali na sala pensando nas coisas que me fez passar

Mas saía, saía daqui

Feche a porta e apague a luz, por favor. E se o telefone tocar diga que eu morri, que estou mortinha da silva estirada no chão da sala com o coração na mão
Diga que arranquei o meu coração com a mão, ele estava doendo de mais
.

Fragmento d'um conto.

Ouça aqui, mocinha.
Não fique pensando que o mundo lhe pertence não
Não caia nessa onda
E outra coisa, não se esforce! Pelo menos não tanto
Não fique aí remando contra a maré, dando murro em ponta de faca
Veja, se não for pra ser, não vai ser. Acredite em mim.
Coisa boba essa sua tentativa de ir além
E olhe, eu não estou pedindo pra você desistir não, não é isso.
Eu só quero que você pense mais, que leia mais.
Q
ue tenha argumentos melhores
Você esta muito nova ainda(...)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ao Sol que não brilha

Ter passado por tanta dor e sofrimento só me deixou mais resistente, cheio de calos.
Estou tão seco que nem suas lágrimas me comovem,
E eu que já quis dar a vida para que nenhuma de suas lágrimas caísse.
Sabe quando se está doente, muito doente, e uma melhora súbita pode representar a morte do individuo?
Foi o que aconteceu.
Eu estava doente de você.
Eu te desejava tanto, pensava tanto em nós dois juntos, mas tanto, tanto, que chegava a doer.
E foram diversas às vezes em que eu tentei te falar isso, te mostrar isso – você sangrava em mim.
Mas, você nunca quis ver isso.
Eu estou melhor,
Foi tão rápido que até mesmo eu fui surpreendido.
Tive uma dessas melhoras súbitas.
Não tenho mais vontade de te ligar, você já não povoa os meus delírios.
É isso! Não tenho dúvidas.
Essa melhora quer dizer que você está morrendo em mim.
Morrendo aos poucos, doendo demais.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Carmem

Mas aqui, sentada e chorando é que eu não fico.

Liga pra policia!

Diz que vai haver um assassinato na Rua 12, às 19 horas. Eu vou matar aquele canalha.

Porque eu, meu bem. Eu sou boazinha demais.

Não quero ver ninguém sofrer, mas isso não faz de mim uma tonta desvairada.

Isso não te dá o direito de fazer de mim um modelo de blusa velha que, apesar de ser confortável, só se usa em casa, sem que ninguém veja.

Eu não.

Eu sou blusa nova, bonita, cheia de brilho.

Dessas que servem para todas as ocasiões, que caem muito bem no corpo e exigem

cuidados especiais.

É isso, você não sabe o que são esses ‘cuidados especiais’ escritos em minha

etiqueta.

Não sabe, nunca soube.

Sempre me tratou de qualquer jeito,sempre lavou a blusa em qualquer água...

Acontece que eu cansei e perdi a cor em você.

Estou desbotada em você.

Estou folgada em você.

Assim mesmo,exatamente isso: Estou folgada em você. Vou repetir para que você não esqueça:

F-O-L-G-A-D-A

Tornei-me mulher demais pra tão pouco homem."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Eu ando tão sozinho,
Mas não é por falta de gente, é por falta de mim mesmo.
Eu estou faltando em mim.