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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fala!

ou você coloca tudo pra fora,
ou deixa tudo preso aí dentro.
mas, no meio, você não fica!

Título 1

que eu não podia meter os pés pelas mãos, eu sabia.
Mas eu fui criado em meio a canibais, aprendi cedo a matar pra comer.
A devorar e destruir tudo o que me impedisse de seguir em frente,
não pense você que me orgulho disso. A frase é forte e de efeito, mas não me compadece.
Eu sempre admirei os bonzinhos, os cheios de boas vontades... Os banhados pela gentileza
mas nunca consegui ser como eles. No fundo, no fundo, eu sempre fui observador e calculista
Eu aprendi a identificar as fraquezas de minhas vítimas, aproximar-me delas e dar o bote quando necessário. Sou capaz de controlar uma cidade inteira, acredite.
A técnica é simples, observação...
Mas nunca quis alçar voos tão altos. Eu poderia ter virado político, mas não quis.
pra mim, o prazer está em me infiltrar na vida dos que escolho, vigiá-los, e supostamente me tornar amigo deles...
Depois eles estarão à minha disposição,
porque eu saberei exatamente como controlá-los.
tenho pena desses seres medíocres, cheio de orgulho e futilidade.
Dessa gente burra, desinformada.
O meu foco está em algo maior, melhor, mais bonito...
mas eu que ainda não sei o que é.

sábado, 25 de junho de 2011

que o amor seja o rei

Começou, começou agora aquela saudade doída.
Longe de casa, dos amigos, da família...
Numa cidade imensa e absurdamente diferente aos meus olhos
não quero e não posso fraquejar agora, chorar agora,
Mas é tão mais confortável está perto de quem a gente conhece
E ainda mais eu, que sou absurdamente dependente dos que me cercam
Eis a minha oração:
Dai-me força e amigos,
Paciência e sensatez...
E que eu não me perca por estas ruas,
nem por estes caminhos,
nem por estas tentações
Que o Amor seja o rei d'minha vida
que o amor seja o rei!
Ele se prostituiu, se entregou antes mesmo de tentar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

reencontradas

Quando duas almas se encontram, se reencontram,
Costuma-se fazer silêncio, os olhos atônitos parecem tímidos e desencontrados
Sente-se somente a necessidade de ficar perto. Até mesmo sem falar nada, só observando.
Há casos de almas que se reconhecem e são amigos, mães e filhos, namorados, inimigos, sobrinhos...
É aqui que eu quero chegar,
Eu reencontrei uma das almas que posso chamar de 'amigas',
Quando eu vi o meu tio pela primeira vez eu tive de me segurar para não cair, cheguei até a ficar tonto...
Lembro-me que ele vinha de longe, chegando do trabalho, sorriso no rosto.
Passou por mim sem reconhecer. Quando se deu conta, abraços e sorrisos foram distribuídos.
Convidou-me pra entrar em sua casa modesta, sua filhinha acabara de nascer, sua esposa estava no quarto e o que ela fazia lá não era de meu interesse...
O que me interessava estava na minha frente: O meu tio. Que é a minha cara, ou eu sou a cara dele. Nunca me achei parecido com ninguém, mas ele sou eu daqui a alguns anos.
Gentil, sorridente, discreto. Chamou-me pr'um papo particular, olhava-me fundo como se também estivesse sentindo o mesmo que eu, como se o coração dele estive saindo pela boca, como se as pernas estivessem tremendo e como se a vontade de abraçar fosse quase invencível...
Cheguei a sentir uma leve falta de ar.
Meu Deus, o que é isso? O que está acontecendo comigo?
Nos despedimos, fui embora...
Meses depois volto a encontrá-lo. Desta vez eu vim de mudança. Moramos na mesma cidade agora, próximos.
Ele usava uma camisa de manga muitíssimo bem escolhida. Estava gripado, mas sorridente.
Passou aqui em casa rapidinho, mas eu tornei a ter a certeza de que o conhecia de outras vidas,
de que já fomos próximos de alguma forma...
E ainda bem que ele não estava só, e que eu também não estava. Não sei o que eu faria no impulso e no calor do momento.
Nós marcamos uma pizza, um encontro. Mas a vida anda tão corrida, a dele, a minha... Não há datas.
Há agora uma dúvida que não me deixa dormir:
O que eu vim fazer nesta cidade?
será mesmo que trabalhar e estudar são os meus principais objetivos?
Não será o destino reorganizando-se, unindo almas?
Eu tenho de esperar pra ver, com o peito doendo, agudo, com uma saudade estranha, sei lá do que.
Como dor de despedida, de adeus...
Mas meu Deus, meu Deus... de adeus?

sábado, 4 de junho de 2011

Sem você não teria graça.

Vai, vai, Zé!
É agora, vai!
Vai, menino.
Será que você não ouve, será que não percebe?
É a vida, Zé
A vida está fazendo um escândalo lá fora gritando o seu nome.
Corre, Zé!
Eu nunca vi a vida fazer isso. Ela deve ter um bom motivo.
Aproveita, vai!
Deixe suas roupas aqui,
Você não vai precisar de muita coisa mesmo.
Vai!
Antes que seja tarde, antes que não seja vida, antes que não seja nada.
Vazio, Zé.
É disso que você quer viver?
Eu sei, eu sei. Pode-se optar por viver assim, Sobreviver assim.
Só que do outro jeito é tão mais bonito...
Não?
Mas, se você não quer ir, deixa eu ir no seu lugar?
Pô, eu digo que houve um engano, que confundiram-se os nomes e que na verdade eu é quem sou você.
Entende o meu plano?
Se você não quer, eu quero.
Eu estou disposto a pegar o primeiro avião, o primeiro táxi, moto, bicicleta, tuc-tuc... Seja o que for.
Eu estou disposto a sumir e ressurgir em algum outro lugar escolhido pela vida descabelada lá fora. Qualquer lugar.
Deixa eu ir, Zé.
Não seja egoísta.
Eu só preciso que você saía lá fora e diga:" Ele vai no meu lugar"
Faz isso por mim, Zé.
Não vê como estou animado?
Sozinho? Se eu vou te deixar sozinho?
Mas, Zé...
Pelo amor de Deus
é a VIDA gritando lá fora, G-R-I-T-A-N-D-O o teu nome.
Se você for, não me importo em ficar sozinho aqui, no escuro. Ao menos por enquanto;
Sei que não vai demorar muito até que mais alguém caia nesse poço fundo e me faça companhia...
Mas se você não for, deixa eu ir.
Não fica calado, poxa!
Não demore a decidir.
A vida pode se arrepender, se cansar, ficar rouca...sei lá. Ela sempre foi tão imprevisível;
Zé?
Zé, fala alguma coisa.
Meu Deus, meu Deus. Ela parou de gritar, ela parou. Ela deve estar indo embora. Ela deve estar indo embora, Zé! Fala logo, anda!
Olha, não fale nada;
Eu vou indo, Tchau.
Eu digo que você está indisposto, que vai ficar pra próxima e que pediu pra que ela me leve.
Direi que você faz questão que ela me leve!
Tchau, Zé.
Nem acredito, Vida, lá vou eu!
Beijos, Zé. Foi bom te conhecer... vou indo mesmo...
Não vai dizer nada?
Zé? Eu estou indo, cara. Não vai me dizer nada?
Zé? Cê tá chorando por quê?
- Eu vou sentir a sua falta. Será que a vida não pode nos levar juntos?
- Não, Zé. Ela leva um de cada vez. É a regra, você sabe disso;
- Sim, eu sei. E é por isso que eu não fui. Sem você não teria graça.