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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Carmem

Mas aqui, sentada e chorando é que eu não fico.

Liga pra policia!

Diz que vai haver um assassinato na Rua 12, às 19 horas. Eu vou matar aquele canalha.

Porque eu, meu bem. Eu sou boazinha demais.

Não quero ver ninguém sofrer, mas isso não faz de mim uma tonta desvairada.

Isso não te dá o direito de fazer de mim um modelo de blusa velha que, apesar de ser confortável, só se usa em casa, sem que ninguém veja.

Eu não.

Eu sou blusa nova, bonita, cheia de brilho.

Dessas que servem para todas as ocasiões, que caem muito bem no corpo e exigem

cuidados especiais.

É isso, você não sabe o que são esses ‘cuidados especiais’ escritos em minha

etiqueta.

Não sabe, nunca soube.

Sempre me tratou de qualquer jeito,sempre lavou a blusa em qualquer água...

Acontece que eu cansei e perdi a cor em você.

Estou desbotada em você.

Estou folgada em você.

Assim mesmo,exatamente isso: Estou folgada em você. Vou repetir para que você não esqueça:

F-O-L-G-A-D-A

Tornei-me mulher demais pra tão pouco homem."

Um comentário:

  1. Ameeeeeeei.. Preciso tomar umas aulinhas com a Carmem. As vezees, é preciso deixar a delicadeza da alma e pegar em armas (nao para matar o outro, mas para destruir aquilo que te faz mal - por dentro)

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